Sempre fui fã do trabalho de texto do roteirista Mark Millar, principalmente em minisséries onde ele consegue estabelecer uma narrativa concisa e densa se atendo ao necessário apenas descartando o modelo mainstream tão popular entre os quadrinhos blockbuster.
Logo me chamou muita atenção a informação de que ele estaria desenvolvendo um volume para ser lançado no selo Netflix, e também na Image Comics, e aqui entramos em The Magic Order.
Acho justas os diversos títulos de vídeos reviews sugerindo que Millar tentou estabelecer sua versão de Harry Potter, pelo menos as influências pops estão bem presentes, mas creio que isso termina na bela arte do talentoso Olivier Coipel.
The Magic Order não tem tempo de desenvolver um cenário tão colossal quanto o de JK Rowling ou até mesmo seus inúmeros personagens complexos, então o volume se dedica a trabalhar as falhas emocionais de seus personagens, principalmente sobre a relação entre pais e filhos. Particularmente sobres as falhas dessa relação.
Enquanto acompanhamos a Madame Albany tentando compensar, depois de adulta, a falta de orgulho que o pai tinha dela ao não lhe confiar um determinado objeto mágico, temos também uma trama de Leonard percebendo o quanto falhou com Regan, Cordelia e Gabriel e como essas falhas contribuíram pra suas construções de persona em sua vida independente.
Claro, não temos tudo desenvolvido de uma maneira didática que até cairia bem, mas é melhor uma história condensada em seis edições do que estender a quarenta. Se Millar usou seu volume de Empress para falar de maternidade, aqui ele usa de Leonard, do pai de Albany e até mesmo o poderoso Gabriel para falar sobre paternidade.


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