A fase do carecão Brian Michel Bendis dentro das histórias mutantes foi e está sendo bastante polêmica. Trazendo ares que sempre pertenceram aos mutunas, a diversidade veio com força e Bendis mostrou o quanto isso é benéfico não só para esses personagens quanto socialmente.
Mas não é sobre esse tema que hoje escrevo esse artigo, mas sobre uma das mudanças do carecão mais especificamente sobre a grande transformação de Scott Summers, mais conhecido por seu codinome mutante Ciclope. Passando de grande herdeiro de Charles Xavier para um grande antagonista para a sociedade mutante, Summers foi um dos personagens que mais mudou.
Primeiro temos que lembrar a forma que duas grandes figuras, influentes no crescimento de Scott, pensavam e como esses ideais foram refletidos no nosso querido e falecido líder. A primeira figura é a de Charles Xavier, um líder mutante que, em sua essência como personagem, acreditava na convivência pacífica e sociável entre detentores do Gêne-X e a humanidade comum. Já a segunda se trata de Erik Lensherr que, em sua essência, serve como uma espécie de antagonista a esse ideal. Erik abomina a humanidade pelas ações de ódio e preconceito promovidas por esta contra seu povo.
Charles e Erik sempre funcionaram dentro do universo da Marvel Comics como Martin Luther King e Malcom X branco. Dois grandes líderes mutantes que lutaram por suas convicções e incanssávelmente pelos direitos civis dos mutantes desde sua origem, mas percorreram caminhos diferentes para terem a consideração, conceito, idolatria por de alguns e reconhecimento e respeito por muitos.
Scott Summers foi criado, treinado e sempre obteve Xavier como seu pai. Como todo filho, Scott enxergava Xavier como objetivo de finalidade, aquele deveria ser o formato de homem a ser seguido quando crescesse. Quando a liderança da comunidade mutante, principalmente depois dos eventos do arco Cisma, Scott começou a ter a figura de Erik Lensherr mais próxima e muitas vezes como uma figura de consigliere mais forte que a de Xavier. Aqui temos um Ciclope mais cansado, frustrado, desesperançoso e com responsabilidades maiores sobre seus ombros. Aos poucos ele começou a compreender o ponto de vista de Erik ao mesmo tempo que tinha em seu interior os ensinamentos de Xavier.
Eu vejo o Scott da fase Bendis, não como um "terrorista" como muitos tentam rotular, mas como um homem preso entre dois ideias ao mesmo tempo em que vê seu povo continuar a sofrer incansavelmente durante anos. Ao mesmo tempo que tenta ser como Xavier, Scott não consegue enxergar progressão na luta de seu povo além de falsas esperanças. Para mim foi uma das melhores facetas apresentadas para o personagem, uma fase e tanto.



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